{"id":107,"date":"2015-10-09T23:56:08","date_gmt":"2015-10-09T23:56:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.iecomplex.com.br\/grupo-de-familias-em-camadas-pobres\/"},"modified":"2023-12-25T13:36:13","modified_gmt":"2023-12-25T13:36:13","slug":"grupo-de-familias-em-camadas-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/iecomplex.com.br\/fr\/grupo-de-familias-em-camadas-pobres\/","title":{"rendered":"GRUPO DE FAMILIAS EM CAMADAS POBRES"},"content":{"rendered":"<p>    GRUPO DE FAMILIAS EM CAMADAS POBRES<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center;line-height:150%\">M\u00faltiplas Metamorfoses<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"center\" style=\"text-align:center;line-height:150%\">\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p>\n<h2 style=\"line-height:150%\">\u00a0Maria In\u00e9s Saadi de Tozatto *<\/p>\n<p\/><\/h2>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p>\n<h2 style=\"margin-top:0cm;margin-right:1.0cm;margin-bottom:0cm;margin-left:&#10;1.0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align:justify;line-height:150%\"><i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">\u00a0<\/i><i style=\"mso-bidi-font-style:normal\"> \u201cA psican\u00e1lise antes de ser uma profiss\u00e3o, \u00e9 uma aventura, uma viagem, um empenho existencial, alguma coisa que transcende molduras e modelos burocr\u00e1ticos. O psicanalista \u00e9 o contr\u00e1rio do burocrata ou do especialista.\u00a0 Ele escuta o desejo, debru\u00e7ado sobre o cora\u00e7\u00e3o selvagem da vida e, a partir desse polo, se esgalha, ampliadamente em todas as dire\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p\/><\/i><\/h2>\n<p class=\"MsoNormal\" align=\"right\" style=\"margin-top:0cm;margin-right:1.0cm;&#10;margin-bottom:0cm;margin-left:1.0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align:right\">H\u00e9lio Pellegrino in: Viegas dos Santos, 1997<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify\">\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent2\">\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent2\">\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">Na travessia da modernidade para a contemporaneidade fomos perdendo a id\u00e9ia de universaliza\u00e7\u00e3o.\u00a0 Esta id\u00e9ia transmitia a esperan\u00e7a, a inten\u00e7\u00e3o e a determina\u00e7\u00e3o de tornar semelhantes as condi\u00e7\u00f5es de vida de todos, em toda parte.<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">Hoje estamos num tempo de mundializa\u00e7\u00e3o, por vezes perversa, que acirra a desigualdade entre pa\u00edses e entre classes sociais, assim como oprime o indiv\u00edduo.\u00a0 Vivemos o confisco de valores tais como os culturais e os da intelig\u00eancia.\u00a0 Na realidade brasileira este confisco vai al\u00e9m e inclui os valores de sobreviv\u00eancia f\u00edsica e emocional.<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoBodyText\" style=\"text-align:justify;text-indent:25.5pt\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sabemos que h\u00e1 sempre um Mal-estar que \u00e9 estrutural.\u00a0 \u00c9 a falta, dentro de um grau suport\u00e1vel, o que nos faz produzir.\u00a0 A tens\u00e3o entre o sujeito e a cultura nos leva para a a\u00e7\u00e3o.\u00a0 No entanto, ante a pervers\u00e3o da cultura contempor\u00e2nea, muitas vezes a melancolia impera.<\/p>\n<p class=\"MsoBodyText\" style=\"text-align:justify;text-indent:25.5pt\">\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"MsoBodyText\" style=\"text-align:justify;text-indent:25.5pt\">\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"line-height:150%;border:none;mso-border-bottom-alt:&#10;solid windowtext 1.5pt;padding:0cm;mso-padding-alt:0cm 0cm 1.0pt 0cm\">\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"line-height:150%;border:none;mso-border-bottom-alt:&#10;solid windowtext 1.5pt;padding:0cm;mso-padding-alt:0cm 0cm 1.0pt 0cm\">\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-left:4.5pt;text-align:justify\">Psicanalista. Doutora em Psicologia Cl\u00ednica pela PUC-Rio. Especialista em Psican\u00e1lise Vincular (fam\u00edlia, casal e grupo). Professora do Curso de Especializa\u00e7\u00e3o em Terapia de Fam\u00edlia e Casal da PUC-Rio. inestozatto @gmail.com. Rua Jardim Bot\u00e2nico 674, sala 323. 22461-000.\u00a0 Rio de Janeiro \u2013 Brasil. Tel: 55-21-2259-4586<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent2\" style=\"text-indent:45.35pt\">Tomados por esta realidade, um sentimento de impot\u00eancia e de irresponsabilidade pode nos levar a um descompromisso, acarretando uma certa \u201canorexia moral\u201d (Novaes,1996).\u00a0 Cada um de n\u00f3s, torna-se respons\u00e1vel pela fam\u00edlia e pela sociedade em que vive j\u00e1 que s\u00e3o grupos interdependentes.\u00a0 Segundo Freire Costa (1998) \u201cse faz necess\u00e1rio abandonar a estrat\u00e9gia de avestruz\u00a0 para tentar reparar, enquanto \u00e9 tempo, nossos aleij\u00f5es sociais\u201d.\u00a0 Esticando nosso pesco\u00e7o de avestruz, torna-se fundamental pensar o local e o individual como complexo, como componente de uma trama global.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">A cidade do Rio de Janeiro se inscreve no contexto mundial como uma metr\u00f3pole de grandes contrastes.\u00a0 A sua popula\u00e7\u00e3o fica dividida ou at\u00e9 estratificada em camadas sociais com acentuadas diferen\u00e7as em termos de concentra\u00e7\u00e3o de renda, oportunidades de vida digna, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e emprego. Expande-se em nossa cultura uma ordem visceralmente violenta.\u00a0 Assim, cada indiv\u00edduo\u00a0 permanece numa tend\u00eancia ao isolamento , temeroso dos outros.\u00a0 O v\u00ednculo entre as pessoas, entre as fam\u00edlias e entre os diferentes grupos, vem ficando marcado pelo que, parafraseando Zuenir Ventura, chamaria de \u201cs\u00edndrome da cidade partida\u201d. <\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent2\" style=\"text-indent:45.35pt\">Dentro deste panorama passo a relatar minha experi\u00eancia como idealizadora e atualmente supervisora de um Grupo de Fam\u00edlias em Acari, sub\u00farbio do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">Desenvolvo este trabalho desde 1996 a convite da Pontif\u00edcia\u00a0 Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">A Universidade responde assim \u00e0 demanda do terceiro mil\u00eanio somando ao ensino acad\u00eamico a consci\u00eancia das quest\u00f5es subjetivas, sociais, culturais e ecol\u00f3gicas. Urge promover valores \u00e9ticos refor\u00e7ando o compromisso de cada um com a comunidade e transformando o ato de aprender numa atividade permanente.<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">A comunidade de Acari\u00a0 tem seus estigmas, suas hist\u00f3rias. At\u00e9 hoje \u00e9 marcada pelo pedido de justi\u00e7a que as chamadas \u201cm\u00e3es de Acari\u201d fazem.\u00a0 Seus filhos adolescentes foram assassinados em 1991 e o desaparecimento de seus corpos \u00e9 ate hoje um mist\u00e9rio.\u00a0 Configura-se assim como um grupo social sem escuta, \u00e0 margem do reconhecimento.\u00a0 O contexto de conviv\u00eancia com a mis\u00e9ria, viol\u00eancia e impunidade faz com que seus moradores acreditem que nada valem.\u00a0 O peso da discrimina\u00e7\u00e3o chega a tal ponto\u00a0 que negam o local de moradia para poder conseguir um emprego ou aceita\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">O processo de constru\u00e7\u00e3o do Grupo de Fam\u00edlias na pr\u00f3pria comunidade implicou em m\u00faltiplas metamorfoses.\u00a0 Como psicanalista, atendendo h\u00e1 vinte e cinco anos em consult\u00f3rio particular da zona sul do Rio de Janeiro, fui acordando para o desejo de alargar a minha escuta para al\u00e9m destes limites, assumindo uma maior responsabilidade social na minha fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">Participamos de uma metamorfose do espa\u00e7o habitado pela psican\u00e1lise, que tendo sua origem hist\u00f3rica no atendimento individual de adultos, foi renovando seu objeto de estudo, abrindo sua a\u00e7\u00e3o e fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica.\u00a0 \u201cDurante muito tempo n\u00e3o se pensou na psican\u00e1lise indo al\u00e9m da poltrona e do div\u00e3 e podemos dizer que ficou impensado na pr\u00e1tica o que estava reprimido na teoria.\u201d (Tozatto, 1991)<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">Um referencial te\u00f3rico renovado deu asas ao meu desejo: a Psican\u00e1lise das Configura\u00e7\u00f5es Vinculares.\u00a0 Esta abordagem re\u00fane\u00a0 todos os \u00e2mbitos\u00a0\u00a0 terap\u00eauticos multipessoais, ampliando o corpo te\u00f3rico para al\u00e9m do individual e da cl\u00ednica.\u00a0 Abre-se tamb\u00e9m para os grupos de reflex\u00e3o, estrat\u00e9gias no campo preventivo e estudos que articulam a subjetividade com o contexto sociocultural.<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">Pensamos o grupo de reflex\u00e3o com orienta\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica\u00a0 como uma superf\u00edcie projetiva para o inconsciente individual, para a cultura e para a sociedade.\u00a0 Funciona\u00a0 ent\u00e3o como uma membrana sens\u00edvel \u00e0 realidade material e \u00e0 realidade ps\u00edquica.<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">A fam\u00edlia \u00e9 um grupo mediador ou intermedi\u00e1rio que atua como porta-voz da sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria e dos elementos culturais.\u00a0 Escutamos o discurso familiar como um setor do discurso da cultura.\u00a0 <\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">H\u00e1 um discurso familiar constitutivo do sujeito que se transmite pela cadeia das gera\u00e7\u00f5es.\u00a0 Deste discurso participam outros grupos e institui\u00e7\u00f5es, contribuindo do contexto transubjetivo (sociocultural) para a forma\u00e7\u00e3o da intrasubjetividade (rela\u00e7\u00e3o do eu com o mundo interno) e da intersubjetividade (v\u00ednculo entre um e outro eu).<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">Criar um lugar de escuta para resgatar o valor do legado e da narrativa familiar, atenderia \u00e0 demanda constatada nos contatos iniciais com a comunidade de Acari.<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">Come\u00e7ar o trabalho n\u00e3o seria f\u00e1cil.\u00a0 De inicio era necess\u00e1rio acabar com o equ\u00edvoco corrente de que tanto a Universidade como a Psican\u00e1lise seriam donas de um saber pronto, saber a ser inculcado nas fam\u00edlias da comunidade considerada carente, saber de elite, superior ao saber popular.\u00a0 Era importante n\u00e3o repetir uma atitude colonizadora tantas vezes presente na hist\u00f3ria dos encontros, na verdade pseudo-encontros, marcados por um ato de extrema viol\u00eancia.\u00a0 \u00c9 neste momento que se presentifica a convic\u00e7\u00e3o de que o v\u00ednculo entre diferentes cria a possibilidade de crescimento e de transforma\u00e7\u00e3o.\u00a0 Mais uma vez metamorfose&#8230;\u00a0 \u00c9 a escassez que p\u00f5e a hist\u00f3ria em movimento e aponta seu verdadeiro sentido.\u00a0 A sabedoria do momento presente estaria ent\u00e3o com os menos favorecidos.<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">Unicom \u00e9 o nome do projeto: Universidade-Comunidade.\u00a0 Faz-se necess\u00e1rio considerar essa dualidade como dimens\u00f5es de uma \u00fanica realidade complexa numa bidirecionalidade vincular.<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">V\u00ednculo aqui nomeia a rela\u00e7\u00e3o entre um eu e outro eu, que tem como condi\u00e7\u00e3o a presen\u00e7a de um referencial externo.\u00a0 Ambos os eus s\u00e3o lugar do pr\u00f3prio desejo e da realiza\u00e7\u00e3o do desejo do outro envolvendo sempre uma dimens\u00e3o inconsciente.<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O v\u00ednculo se estabelece em m\u00e3o dupla\u00a0 baseando-se na troca e no compartilhar.\u00a0 Colocar em comuns saberes pr\u00f3prios para facilitar um sair das certezas e construir um saber vincular.\u00a0 Grande \u00e9 o desafio&#8230;\u00a0 Arriscar e inovar permitindo-se elaborar a ang\u00fastia m\u00fatua frente ao desconhecido. <\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:35.4pt;line-height:&#10;150%\">\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cUm fraco mais um fraco n\u00e3o s\u00e3o dois fracos, mais um forte.\u00a0 Porque a uni\u00e3o faz a for\u00e7a.\u201d (Boff, 1998).\u00a0 O grupo e sua for\u00e7a!&#8230;\u00a0 Grupo de Reflex\u00e3o com orienta\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica que tem como instrumento a interpreta\u00e7\u00e3o.\u00a0 Esta, facilitar\u00e1 o afloramento de capacidades mentais e ps\u00edquicas preexistentes e\u00a0 a express\u00e3o do desejo inconsciente.\u00a0 A interpreta\u00e7\u00e3o visa o denominador comum dos fantasmas inconscientes dos membros ou a defesa coletiva que se instala contra a tens\u00e3o comum.\u00a0 Sendo escutado, o grupo exerce uma definida a\u00e7\u00e3o terap\u00eautica que se traduz numa nova reorganiza\u00e7\u00e3o pulsional, em novas posturas, em metamorfose.\u00a0\u00a0\u00a0 <\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">Num primeiro contato diagn\u00f3stico, percebemos que a comunidade se divide em classes.\u00a0 Os mais ricos marginalizam os mais pobres que ficam enquistados, como num gueto \u00e0 beira do rio, n\u00e3o se tornando vis\u00edveis a um primeiro olhar.\u00a0 Na rua, mulheres asseadas fazendo croch\u00ea sentadas \u00e0 porta de suas casas.\u00a0 Por tr\u00e1s, andando por ruelas que formam verdadeiros labirintos, os mais desvalidos, lama, porcos, sujeira.<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">Vencido o medo de confiar nos nomeados \u201cde fora\u201d, que muitas vezes vem e v\u00e3o embora de repente, respondem ao convite para participar de um Grupo de Fam\u00edlias.\u00a0 A proposta \u00e9 feita a partir da demanda constatada.\u00a0 Av\u00f4s, pais e filhos apresentam-se como representantes de suas fam\u00edlias, permitindo a riqueza de uma escuta trigeracional. No dia a dia,\u00a0 a presen\u00e7a das mulheres se repete e s\u00f3 esporadicamente, um ou outro homem comparece. <\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">Em geral, a figura do pai \u00e9 distante e ao contr\u00e1rio da m\u00e3e \u00e9 pouco intima sendo em alguns casos transit\u00f3ria e substitu\u00edvel.\u00a0 A m\u00e3e tem maior influ\u00eancia na transmiss\u00e3o dos valores familiares e no estabelecimento e refor\u00e7o da rede de rela\u00e7\u00f5es.\u00a0 Sabemos que na constru\u00e7\u00e3o dos v\u00ednculos familiares \u00e9 importante o exerc\u00edcio das\u00a0 fun\u00e7\u00f5es\u00a0 materna (de acolhimento) e paterna (de autoridade).\u00a0 Estas fun\u00e7\u00f5es podem ser desempenhadas por qualquer membro da fam\u00edlia ou pessoa com quem se tem um forte v\u00ednculo afetivo.<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">No Grupo de Fam\u00edlias, freq\u00fcentemente, as av\u00f3s aparecem como deposit\u00e1rias de uma s\u00edntese das fun\u00e7\u00f5es materna e paterna: afeto-autoridade, acolhimento-limite.\u00a0 S\u00e3o verdadeiras organizadoras da vida cotidiana e ps\u00edquica da fam\u00edlia.\u00a0 Ocupam esse lugar a partir da aus\u00eancia paterna e da imaturidade da m\u00e3e, muitas vezes apenas uma adolescente ainda precisando ser atendida como filha.<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">Grupo na fun\u00e7\u00e3o de escuta.\u00a0 Estar dispon\u00edvel para o espanto, a cria\u00e7\u00e3o, para o n\u00e3o dito at\u00e9 ent\u00e3o, tendo sempre presente que o inconsciente \u00e9 social.\u00a0 Nas camadas pobres da popula\u00e7\u00e3o, escutar as fam\u00edlias passa pela viol\u00eancia, pela mis\u00e9ria e a concretude destas palavras.\u00a0 Remete para al\u00e9m do discurso, fala de viol\u00eancia f\u00edsica, fala de morte (como o medo do carnaval em que alguns mascarados matam impunemente e n\u00e3o s\u00e3o denunciados mesmo se suspeitando quem s\u00e3o).\u00a0 Vive-se a lei do sil\u00eancio como preserva\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria vida. <\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">O Grupo de Fam\u00edlias se re\u00fane semanalmente. N\u00e3o exige um compromisso irrestrito de presen\u00e7a.\u00a0 Seus integrantes participam quando desejam ou conseguem.\u00a0 O compromisso fundamental \u00e9 firmado por ambas as partes j\u00e1 que a equipe t\u00e9cnica (supervisor, coordenador e observador) e o pr\u00f3prio grupo se responsabilizam pela realiza\u00e7\u00e3o do trabalho e pela manuten\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o enquanto desejando.\u00a0 As fun\u00e7\u00f5es de coordenador e observador vem sendo desempenhadas por estudantes de psicologia.\u00a0 Estes, s\u00e3o selecionados a partir do desejo de engajamento, como volunt\u00e1rios, em trabalho comunit\u00e1rio como parte da sua forma\u00e7\u00e3o e, por vezes, em substitui\u00e7\u00e3o a uma aula te\u00f3rica sobre \u00e9tica.<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">O Grupo se mant\u00e9m\u00a0 constantemente aberto a novos integrantes e se organiza em torno de dois p\u00f3los: o relato do cotidiano familiar e comunit\u00e1rio e o imagin\u00e1rio ou fantasm\u00e2tico que se faz presente em cada fam\u00edlia e na constru\u00e7\u00e3o de seu legado.\u00a0 Singular-plural, sujeito-grupo, tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es num grupo de reflex\u00e3o sobre os v\u00ednculos familiares e comunit\u00e1rios.\u00a0 Alquimia desafiante que nos coloca ante novos posicionamentos&#8230;\u00a0 metamorfose!<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">\u00c9 bonito e d\u00e1 prazer chegar para esta experi\u00eancia e ver a alegria com que nos recebem.\u00a0 Falo em experi\u00eancia no sentido benjaminiano.\u00a0 Para Benjamin (1987), a experi\u00eancia se d\u00e1 na valoriza\u00e7\u00e3o da intersubjetividade e do v\u00ednculo com compromisso.\u00a0 Difere assim da viv\u00eancia que n\u00e3o d\u00e1 conta da constru\u00e7\u00e3o do sujeito e da hist\u00f3ria porque \u00e9 fugaz, descart\u00e1vel.\u00a0 A afetividade e a solidariedade fazem parte dos encontros.\u00a0 N\u00f3s somos sujeitos do encontro, pessoas sempre querendo afetar e serem afetadas.<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">V\u00e1rios autores t\u00eam sinalizado as transforma\u00e7\u00f5es sofridas nas sociedades atuais pela fam\u00edlia, mas a fam\u00edlia continua ocupando o imagin\u00e1rio de envelope protetor que acolhe no desamparo.\u00a0 A sua capacidade de cuidado e prote\u00e7\u00e3o depende n\u00e3o s\u00f3 da elabora\u00e7\u00e3o dos conflitos, como tamb\u00e9m da qualidade de vida que ela tem no contexto social ou transubjetivo.\u00a0 Em cada fam\u00edlia encontramos uma forma particular de resson\u00e2ncia aos desafios deste final de s\u00e9culo. <\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">Uma das maiores mudan\u00e7as nos valores familiares \u00e9 a perda da vis\u00e3o coletiva e o fortalecimento do individualismo com \u00eanfase nos sentimentos.\u00a0 \u201cA fam\u00edlia \u00e9 composta pelas pessoas com que cada um conta\u201d. (ONU, 1994, Ano internacional da Fam\u00edlia).\u00a0 Privilegia ent\u00e3o os v\u00ednculos afetivos.\u00a0 Para Jablonsky (1998), temos hoje fam\u00edlias transformadas em verdadeiras ilhas, sistemas se fechando ante a sociedade como um\u00a0 todo e debatendo-se com dicotomias constantes, tais como: a monogamia e o apelo permissivo, a tradi\u00e7\u00e3o e a sedu\u00e7\u00e3o do novo, a vida em fam\u00edlia e o incentivo \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o pessoal.\u00a0 <\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0 Neste momento hist\u00f3rico, a presen\u00e7a maci\u00e7a do desemprego aumenta a fragilidade do pai como representante da lei assim como cria um sentimento de impot\u00eancia em muitas fam\u00edlias.\u00a0 J\u00e1 em outras, o momento atual vem despertando posturas criativas que permitem um fortalecimento dos v\u00ednculos na crise.\u00a0 Em Acari, segmentos sociais desfavorecido, t\u00eam um d\u00e9ficit de filia\u00e7\u00e3o social desqualificando seus cidad\u00e3os.\u00a0 Deste modo, o sofrimento de origem social soma-se como marca permanente \u00e0s fam\u00edlias.<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoBodyText\" style=\"text-align:justify;text-indent:25.5pt\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No Grupo de Reflex\u00e3o com orienta\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica, cada representante de sua fam\u00edlia \u00e9 porta-voz dos valores de revolta desenvolvidos contra as dif\u00edceis condi\u00e7\u00f5es de vida.\u00a0 Os valores de revolta fazem com que muitos sejam capturados pela rede do tr\u00e1fico de drogas, principalmente os adolescentes.<b style=\"mso-bidi-font-weight:normal\"><\/p>\n<p\/><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">Freud (1927), \u00e9 atual quando afirma:<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:35.45pt;line-height:&#10;150%\">\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"MsoBlockText\" style=\"margin-top:0cm;margin-right:1.0cm;margin-bottom:&#10;0cm;margin-left:1.0cm;margin-bottom:.0001pt\">\u201cSe voltarmos para as restri\u00e7\u00f5es que s\u00f3 se aplicam a certas classes da sociedade, encontraremos um estado de coisas que \u00e9 flagrante e que sempre foi reconhecido. \u00c9 de se esperar que essas classes subprivilegiadas invejem os privil\u00e9gios das favorecidas e fa\u00e7am tudo o que podem para se liberarem de seu pr\u00f3prio excesso de priva\u00e7\u00e3o.\u00a0 Onde isso n\u00e3o for poss\u00edvel, uma permanente parcela de descontentamento persistir\u00e1 dentro da cultura interessada, o que pode conduzir a perigosas revoltas\u201d.<\/p>\n<p class=\"MsoBlockText\" style=\"margin:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-indent:22.7pt\">\u00a0\u00a0\u00a0 <\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoBlockText\" style=\"margin:0cm;margin-bottom:.0001pt\">\u00a0\u00a0 Ao mesmo tempo, cada integrante do grupo retorna para o cotidiano familiar revitalizado pelos valores de di\u00e1logo e de a\u00e7\u00e3o.\u00a0 Essas fam\u00edlias passam ent\u00e3o a ter mais subs\u00eddios para desempenhar sua fun\u00e7\u00e3o.\u00a0 Enfrentam deste modo, a l\u00f3gica perversa do contexto social. <\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent3\">\u00a0\u00a0 O engajamento grupal vai acontecendo no ritmo de cada um.\u00a0 Assim, criativamente usam a imagem da sele\u00e7\u00e3o brasileira de futebol na Copa do Mundo \u00a0e falam da responsabilidade grupal de cada participante:<\/p>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent3\">\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-top:0cm;margin-right:1.0cm;margin-bottom:0cm;&#10;margin-left:46.2pt;margin-bottom:.0001pt;text-align:justify;text-indent:-17.85pt;&#10;line-height:150%;mso-list:l1 level1 lfo1;tab-stops:list 18.0pt\">&#8211;\u00a0 <i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">\u201cAqui tem os antigos ou titulares do time, os que n\u00e3o faltam e sempre entram no jogo pra valer\u201d.<\/p>\n<p\/><\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-top:0cm;margin-right:1.0cm;margin-bottom:0cm;&#10;margin-left:46.2pt;margin-bottom:.0001pt;text-align:justify;text-indent:-17.85pt;&#10;line-height:150%;mso-list:l1 level1 lfo1;tab-stops:list 18.0pt\">&#8211;\u00a0 <i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">\u201cOs novos que se comprometem e fazem for\u00e7a\u00a0 para vir sempre, podem chegar\u00a0 a titulares\u201d.<\/p>\n<p\/><\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-top:0cm;margin-right:1.0cm;margin-bottom:0cm;&#10;margin-left:46.2pt;margin-bottom:.0001pt;text-align:justify;text-indent:-17.85pt;&#10;line-height:150%;mso-list:l1 level1 lfo1;tab-stops:list 18.0pt\">&#8211;\u00a0 <i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">\u201cAlguns ainda somos reservas, ficamos quase sem falar e faltamos muito, mesmo gostando do grupo\u201d.<\/p>\n<p\/><\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:18.0pt;line-height:&#10;150%\">\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">Segundo a classifica\u00e7\u00e3o proposta por Barbosa e Santos (1991), temos: participantes permanentes, que com sua presen\u00e7a acompanham toda a hist\u00f3ria do grupo; participantes espasm\u00f3dicos, que permanecem um tempo, desaparecem e depois retornam para outra temporada; participantes intermitentes, que retornam de tempos em tempos para confirmar a exist\u00eancia do grupo; freq\u00fcentadores nas crises, que trazem uma situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para resolver e conseguindo deixam de freq\u00fcentar; visitadores, que chegam para conhecer o grupo mas n\u00e3o conseguem ficar.<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">Os temas trazidos s\u00e3o m\u00faltiplos: maternidade, sexualidade, casamento, educa\u00e7\u00e3o dos filhos, viol\u00eancia dom\u00e9stica, comunit\u00e1ria e policial, alcoolismo e tr\u00e1fico de drogas, desemprego, impunidade, preconceito, analfabetismo, a for\u00e7a da f\u00e9, a repeti\u00e7\u00e3o e a cria\u00e7\u00e3o nos v\u00ednculos familiares.<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">Trabalha-se grupalmente para construir o direito e a capacidade de serem sujeitos de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, e de ter acesso a um mundo de saber, reconhecimento e cultura.\u00a0 Como uma das boas lembran\u00e7as a integrar o patrim\u00f4nio do Grupo de Fam\u00edlias, registro a ida ao teatro para \u2018\u2019ver a Laura dan\u00e7ar\u201d.\u00a0 Atrav\u00e9s do v\u00ednculo estabelecido com Laura, a estagi\u00e1ria de psicologia que fazia a observa\u00e7\u00e3o do grupo, se constr\u00f3i o v\u00ednculo com esse mundo distante, quase imposs\u00edvel.\u00a0 No dia, todos em festa, chegam com\u00a0 a melhor roupa e trocam os chinelos do cotidiano pelos sapatos.\u00a0 Mais uma vez, metamorfose!\u00a0 <\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoBodyTextIndent2\" style=\"text-indent:45.35pt\">O Grupo de Fam\u00edlias vai se firmando num cen\u00e1rio vincular onde a cada encontro se desconstr\u00f3i e se reconstr\u00f3i todo um sistema de cren\u00e7as e mitos familiares e sociais.\u00a0 O \u201csaber vincular\u201d vai se dando tanto para o grupo como para a equipe, todos participantes de um jogo criativo constante.\u00a0\u00a0 <\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">Aproveitar o imprevisto que surge a cada reuni\u00e3o do grupo e n\u00e3o exclu\u00ed-lo tem produzido momentos de extrema riqueza.\u00a0 Entre muitos, lembro o dia em que falando da morte e de mortes, o grupo se depara com a presen\u00e7a do beb\u00ea rec\u00e9m nascido, filho e neto de participantes do grupo. Uma gera\u00e7\u00e3o e outras\u00a0 gera\u00e7\u00f5es, vida e morte, inf\u00e2ncia e velhice, paz e viol\u00eancia, s\u00e3o os temas abordados ent\u00e3o como faces de uma mesma moeda.<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">Resgatar o valor dos v\u00ednculos e do afeto tem sido a base da transforma\u00e7\u00e3o para o Grupo de Fam\u00edlias.\u00a0 Do autoritarismo para\u00a0 o di\u00e1logo, da centraliza\u00e7\u00e3o para o compartilhar, do desejo \u00fanico para os m\u00faltiplos desejos, do sil\u00eancio defensivo para o relato confiante, de Narciso para \u00c9dipo. <\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">O Grupo de Fam\u00edlias propiciando a troca intergeracional e capacitando seus integrantes para serem protagonistas de suas vidas atrav\u00e9s da coopera\u00e7\u00e3o, da auto-estima e do engajamento como agentes de metamorfose\u00a0 subjetiva, familiar e social.<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">Concretamente, as metamorfoses manifestam-se no grupo: uma das participantes espera um novo filho, dois outros se inscrevem em curso de alfabetiza\u00e7\u00e3o tendo aulas com uma professora de setenta anos, um outro retoma os estudos ap\u00f3s trinta anos e obt\u00e9m o diploma de primeiro grau, muitos dizem ter aprendido\u00a0 a escutar.<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-right:1.0cm;text-align:justify;text-indent:&#10;45.35pt;line-height:150%\">Assim expressou seu sentir um dos integrantes do Grupo:<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-top:0cm;margin-right:1.0cm;margin-bottom:0cm;&#10;margin-left:1.0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align:justify;line-height:150%\"><i style=\"mso-bidi-font-style:normal\"><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-top:0cm;margin-right:1.0cm;margin-bottom:0cm;&#10;margin-left:1.0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align:justify;line-height:150%\"><i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">\u00a0\u201cNo come\u00e7o n\u00e3o entendia. Era tudo sem p\u00e9 nem cabe\u00e7a. N\u00e3o sabia que a gente conversava da vida, dos problemas, do passado. Agora eu entendo como \u00e9 bom e aprendo porque me escutam e porque falo\u201d.<\/p>\n<p\/><\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-top:0cm;margin-right:1.0cm;margin-bottom:0cm;&#10;margin-left:1.0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align:justify;line-height:150%\"><i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">\u00a0 <\/p>\n<p\/><\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No presente do grupo, torna-se importante valorizar a a\u00e7\u00e3o end\u00f3gena da comunidade.\u00a0 N\u00e3o ficar sempre na depend\u00eancia de ajuda externa, ser autor de sua exist\u00eancia, deixando de ser repetidamente colonizado. <\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:45.35pt;line-height:&#10;150%\">\u00a0\u00c9 preciso viver este \u00a0mil\u00eanio encontrando formas de metamorfosear os caminhos do pensamento, dos atos e das distribui\u00e7\u00f5es.\u00a0 Mas a pr\u00f3pria inquieta\u00e7\u00e3o \u00e9 in\u00fatil quando n\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7a.<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:25.5pt;line-height:&#10;150%\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 preciso acreditar no mundo.\u00a0 Acreditar significa suscitar acontecimentos que mesmo pequenos ou locais ir\u00e3o desencadeando outros acontecimentos numa rea\u00e7\u00e3o em cadeia para um viver melhor.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:25.5pt;line-height:&#10;150%\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assim como Rorty (1998), partilho da convic\u00e7\u00e3o de que \u201cn\u00e3o existem obst\u00e1culos \u00e0 fraternidade humana, exceto nossa pr\u00f3pria falta de disposi\u00e7\u00e3o em fazer o que \u00e9 preciso para conquist\u00e1-la\u201d. <\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:25.5pt;line-height:&#10;150%\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O sonho de um mundo melhor precisa permanecer como ant\u00eddoto \u00e0s nossas limita\u00e7\u00f5es como sujeito, como fam\u00edlia e como sociedade.<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"MsoHeading8\">Bibliografia<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">ANZIEU, D.\u00a0 <b style=\"mso-bidi-font-weight:normal\"><i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">O Grupo e o Inconsciente \u2013 O imagin\u00e1rio grupal<\/i><\/b>.\u00a0 S\u00e3o Paulo:<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Casa do Psic\u00f3logo, 1990<b style=\"mso-bidi-font-weight:normal\"><i style=\"mso-bidi-font-style:&#10;normal\"> <\/p>\n<p\/><\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">BARBOSA, M.L. e SANTOS. S.T.\u00a0 <i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">\u201cV\u00ednculos num grupo terap\u00eautico\u00a0 comuni-<\/p>\n<p\/><\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\"><i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 t\u00e1rio\u201d.\u00a0 <\/i>Trabalho apresentado no\u00a0 I\u00a0 Encontro de Grupan\u00e1lise,\u00a0 Psicotera-<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 rapia de Grupo e Sa\u00fade Mental de L\u00edngua Portuguesa.\u00a0 S\u00e3o Paulo:1991<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">BAUMAN, Z.\u00a0 <b style=\"mso-bidi-font-weight:normal\"><i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">Globaliza\u00e7\u00e3o: as conseq\u00fc\u00eancias humanas<\/i><\/b>. <b style=\"mso-bidi-font-weight:normal\"><i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">\u00a0\u00a0<\/i><\/b>Rio de Janeiro:<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoHeading9\" style=\"margin-left:0cm;text-indent:25.5pt\">Zahar, 1998<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">BENJAMIN, W.\u00a0 <i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">\u201cExperi\u00eancia e pobreza\u201d.\u00a0 <\/i>In: <b style=\"mso-bidi-font-weight:&#10;normal\"><i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">Obras Escolhidas<\/i><\/b>.\u00a0 1\u00ba volume<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1987<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">BOFF, L.\u00a0 <b style=\"mso-bidi-font-weight:normal\"><i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">A \u00c1guia e a galinha \u2013 Uma met\u00e1fora da condi\u00e7\u00e3o humana<\/i><\/b>.\u00a0 Pe-<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 tr\u00f3polis: Vozes, 1998<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">FORRESTER, V.\u00a0 <b style=\"mso-bidi-font-weight:normal\"><i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">O horror econ\u00f4mico<\/i><\/b>.\u00a0 S\u00e3o Paulo: Unesp, 1997<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">FREIRE COSTA, J.\u00a0 <b style=\"mso-bidi-font-weight:normal\"><i style=\"mso-bidi-font-style:&#10;normal\">Psican\u00e1lise e contexto cultural:\u00a0 imagin\u00e1rio psicana-<\/p>\n<p\/><\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:25.5pt;line-height:&#10;150%\"><b style=\"mso-bidi-font-weight:normal\"><i style=\"mso-bidi-font-style:&#10;normal\">l\u00edtico, grupos e psicoterapias<\/i><\/b>.\u00a0 Rio de Janeiro: Campus, 1989<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">_______________\u00a0 <i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">\u201cEstrat\u00e9gia de avestruz\u201d.In: Folha de S\u00e3o Paulo:22\/04\/99<\/p>\n<p\/><\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">FREUD, S. (1927)\u00a0 <b style=\"mso-bidi-font-weight:normal\"><i style=\"mso-bidi-font-style:&#10;normal\">O futuro de uma ilus\u00e3o<\/i><\/b>.\u00a0 In: obras completas, ESB.\u00a0 Rio<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 de Janeiro: Imago, 1974<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">________\u00a0\u00a0 (1930)\u00a0 <b style=\"mso-bidi-font-weight:&#10;normal\"><i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">O Mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o<\/i><\/b>.\u00a0 In:\u00a0 obras\u00a0 completas,\u00a0 ESB.<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;text-indent:25.5pt;line-height:&#10;150%\">Rio de Janeiro: Imago, 1974<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">JABLONSKY, B.\u00a0 <b style=\"mso-bidi-font-weight:normal\"><i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">At\u00e9 que a vida nos separe.\u00a0\u00a0 Crise\u00a0 no\u00a0 casamento\u00a0 con-<\/p>\n<p\/><\/i><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\"><b style=\"mso-bidi-font-weight:normal\"><i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 tempor\u00e2neo<\/i><\/b>.\u00a0 Rio de Janeiro: Agir, 1998<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">LATOUR, B.\u00a0 <b style=\"mso-bidi-font-weight:normal\"><i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">Jamais fomos modernos<\/i><\/b>.\u00a0 S\u00e3o Paulo: editora 34, 1997<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">NOVAES, M.E.\u00a0 \u201c<i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">As contradi\u00e7\u00f5es da Universidade e as\u00a0 Novas\u00a0 Matrizes So-<\/p>\n<p\/><\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\"><i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 ciais da Ci\u00eancia e da Cultura\u201d.\u00a0 Contribui\u00e7\u00e3o ao\u00a0 Grupo\u00a0 de\u00a0 Trabalho da<\/p>\n<p\/><\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\"><i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Psicologia Escolar ao VI Simp\u00f3sio da ANPEPP.\u00a0 Teres\u00f3polis: 1996<\/p>\n<p\/><\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">PUGET, J. e BERENSTEIN, I<i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><b style=\"mso-bidi-font-weight:normal\"><i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">Psicoan\u00e1lisis\u00a0 de\u00a0 la\u00a0 pareja\u00a0 matrimonial<\/i><\/b>.<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Buenos Aires: Paid\u00f3s, 1989<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">RORTY, R.\u00a0 <i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">\u201cO futuro da utopia\u201d. In: Folha de S\u00e3o Paulo: 04\/04\/1999<\/p>\n<p\/><\/i><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">SANTOS, M.\u00a0 <b style=\"mso-bidi-font-weight:normal\"><i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">Metamorfoses do espa\u00e7o habitado<\/i><\/b>.\u00a0 S\u00e3o Paulo:\u00a0 Hucitec,\u00a0 5\u00aa<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 edi\u00e7\u00e3o, 1997<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">TOZATTO, M.I. et alli.\u00a0 <i style=\"mso-bidi-font-style:normal\">\u201cDo\u00a0 individual\u00a0 ao\u00a0 grupo\u00a0 familiar \u2013 Uma\u00a0 passagem\u201d.<\/p>\n<p\/><\/i><\/p>\n<p class=\"MsoHeading8\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Trabalho apresentado no\u00a0 I\u00a0 Encontro\u00a0 de\u00a0 Grupan\u00e1lise, Psicoterapia\u00a0 de<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Grupo e Sa\u00fade Mental de L\u00edngua Portuguesa.\u00a0 S\u00e3o Paulo: 1991<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">VIEGAS DOS SANTOS, L. (org).\u00a0 <b style=\"mso-bidi-font-weight:normal\"><i style=\"mso-bidi-font-style:&#10;normal\">Psican\u00e1lise de Brasileiro<\/i><\/b>.\u00a0 Rio\u00a0 de\u00a0 Janei-<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 ro: Taurus, 1997<\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align:justify;line-height:150%\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/p>\n<p\/>\n<p class=\"MsoNormal\">\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p>\n<p>    <\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GRUPO DE FAMILIAS EM CAMADAS POBRES M\u00faltiplas Metamorfoses \u00a0 \u00a0Maria In\u00e9s Saadi de Tozatto * \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u201cA psican\u00e1lise antes de ser uma profiss\u00e3o, \u00e9 uma aventura, uma viagem, um empenho existencial, alguma coisa que transcende molduras e modelos burocr\u00e1ticos. O psicanalista \u00e9 o contr\u00e1rio do burocrata ou do especialista.\u00a0 Ele escuta o desejo, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-107","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-textos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/iecomplex.com.br\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/iecomplex.com.br\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/iecomplex.com.br\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/iecomplex.com.br\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/iecomplex.com.br\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=107"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/iecomplex.com.br\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":800,"href":"https:\/\/iecomplex.com.br\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107\/revisions\/800"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/iecomplex.com.br\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=107"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/iecomplex.com.br\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=107"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/iecomplex.com.br\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=107"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}