{"id":93,"date":"2015-10-09T23:56:08","date_gmt":"2015-10-09T23:56:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.iecomplex.com.br\/narcisismo-amor-proprio-ou-improprio\/"},"modified":"2023-12-25T13:36:12","modified_gmt":"2023-12-25T13:36:12","slug":"narcisismo-amor-proprio-ou-improprio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/iecomplex.com.br\/fr\/narcisismo-amor-proprio-ou-improprio\/","title":{"rendered":"Tereza Estarque \u00ab\u00a0Narcisismo: Amor pr\u00f3prio ou impr\u00f3prio?\u00a0\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: .5in;\"><b><strong>Autora: <\/strong><\/b>Tereza Mendon\u00e7a Estarque, Psicanalista, Dra em Ci\u00eancias Sociais, Fundadora e Presidente do Instituto de Estudos da Complexidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><b><strong>Narcisismo de vida ou de morte: Amor pr\u00f3prio ou impr\u00f3prio ?<\/strong><\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: .5in;\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: .5in;\">A difus\u00e3o da psican\u00e1lise na cultura propriciou que uma s\u00e9rie de conceitos fossem assimilados ao tecido social, implicando necessariamente algumas distor\u00e7\u00f5es ou, na maioria das vezes, o privil\u00e9gio de um dos aspectos do conceito em detrimento de outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: .5in;\">O narcisismo, conceito psicanal\u00edtico cujo nome Freud tomou de empr\u00e9stimo ao mito grego de Narciso, o j\u00f3vem que enamorou-se de sua pr\u00f3pria imagem espelhada na superf\u00edcie de um lago, ficou associado, em nossa cultura, \u00e0 id\u00e9ia de vaidade que, segundo o Dictionaire Th\u00e9ologique Catholique seria, dentre os sete pecados capitais, o mais grave, pois\u00a0 todos os outros derivariam deste.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: .5in;\">Conforme o mito explicita, a id\u00e9ia de narcisismo est\u00e1 vinculada \u00e0 quest\u00e3o da imagem e esta, por sua vez, \u00e0 no\u00e7\u00e3o de identidade. A imagem corporal \u00e9 o primeiro esbo\u00e7o sobre o qual ir\u00e3o se desenhar, posteriormente, as identifica\u00e7\u00f5es constitutivas da personalidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoBodyText2\">Assim sendo, ao abordarmos o tema do narcisismo, n\u00e3o podemos deixar de fazer uma reflex\u00e3o acerca da fun\u00e7\u00e3o primordial da imagem no mundo contempor\u00e2neo, motivo pelo qual alguns te\u00f3ricos enfatizam que vivemos no interior de uma cultura do narcisismo, entendendo-se por isto, uma cultura voltada para a imagem e para o individualismo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: .5in;\">Lembramos o comercial que dizia: \u201c <i>imagem \u00e9 nada, sede \u00e9 tudo. Obede\u00e7a sua sede, beba o refrigerante que voc\u00ea deseja<\/i>.\u201d O que se pode depreender desta palavra de \u00f3rdem? Obede\u00e7a a sua sede, sua puls\u00e3o, seu desejo e n\u00e3o \u00e0quilo que um outro refrigerante\u00a0 promete fazer por sua imagem.\u00c9 t\u00e3o grande o poder da imagem em nossa cultura midi\u00e1tica, que o sucesso do referido comercial decorre da estrat\u00e9gia de utilizar a ant\u00edtese, <i>imagem \u00e9 nada<\/i>, para antagonizar seus concorrentes que afirmam: <i>imagem \u00e9 tudo.<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: .5in;\">Se a \u00eanfase na imagem \u00e9 tudo, alimentando o que poder\u00edamos chamar de uma vertente patol\u00f3gica do narcisismo, cresce no Brasil uma cultura de idolatria ao corpo perfeito, alavancando uma economia da medicina cosm\u00e9tica que movimenta elevadas quantias em dinheiro, promovendo um efeito avalanche que colocou nosso pa\u00eds como campe\u00e3o no ranking das cirurgias pl\u00e1sticas de car\u00e1ter exclusivamente est\u00e9tico realizadas no mundo, ultrapassando os Estados Unidos que, at\u00e9 ent\u00e3o, detinha este t\u00edtulo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: .5in;\">Quanto ao aspecto do individualismo observamos que se encontra associado \u00e0 id\u00e9ia de ego\u00edsmo que, por vezes, \u00e9 utilizado como sin\u00f4nimo para o pecado da vaidade. Ego-ismo, amor exclusivo a si mesmo op\u00f5e-se a altru-ismo, amor ao outro. \u00c9 esta exclusividade do amor a si mesmo com exclus\u00e3o do outro, que vai tornar impr\u00f3prio este amor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: .5in;\">Que dizer ent\u00e3o do amor pr\u00f3prio? Quando se diz de algu\u00e9m que ele n\u00e3o tem amor pr\u00f3prio, que n\u00e3o se orgulha de si mesmo, queremos dizer que esta pessoa tem uma baixa auto estima, ou, em linguagem psicanal\u00edtica, uma falha narc\u00edsica. A falta do amor pr\u00f3prio, do amor bem medido por si mesmo, conduz ao aprisionamento do indiv\u00edduo no desejo do outro, alienando-se nele, dessubjetivando-se e passando, irremediavelmente, \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de objeto. \u00c9 neste sentido que \u00e9 preciso afirmar que o narcisismo pode alimentar a vida ou a morte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: .5in;\">A viv\u00eancia do narcisismo na inf\u00e2ncia, corresponde \u00e0 um momento de j\u00fabilo, onde a percep\u00e7\u00e3o opera uma unifica\u00e7\u00e3o do corpo experimentado at\u00e9 ent\u00e3o como um corpo fragmentado. Momento onde se vive a alegria de saber-se uno e de reconhecer-se no espelho como um eu, de poder nomear-se na primeira pessoa, constituindo a inst\u00e2ncia ps\u00edquica conhecida como ego.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: .5in;\">Vemos ent\u00e3o, que os\u00a0 conceitos de narcisismo, ego e identidade encontram-se estreitamente ligados. \u00c9 pelo olhar do outro, especialmente este outro materno que encarna todas as nossas possibilidades de satisfa\u00e7\u00e3o, prazer e seguran\u00e7a, que aprendemos a saber quem somos. Se o olhar deste Outro brilha por n\u00f3s e se em algum momento pudermos nos sentir capazes de preencher\u00a0 este Outro de alegria, estaremos constituindo nosso amor pr\u00f3prio, aprendendo a ler no espelho do olhar do Outro, que nossa exist\u00eancia vale a pena e tem um sentido, nem que este sentido seja, num primeiro momento, preencher os anseios deste outro que significa tudo para n\u00f3s, condi\u00e7\u00e3o mesma de nossa exist\u00eancia. Mas n\u00e3o podemos parar por a\u00ed, estancando neste lugar de colagem onde nosso desejo n\u00e3o se distingue nem se diferencia, mas, ao contr\u00e1rio, se reduz ao desejo do Outro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: .5in;\">Queremos dizer com isto que esta rela\u00e7\u00e3o narc\u00edsica que envolve a m\u00e3e e o beb\u00ea de maneira indiferenciada, especular e exclusiva, corresponde \u00e0 uma necessidade para que se constitua no sujeito humano, seu amor pr\u00f3prio. \u00c9 fundamental que em algum momento a crian\u00e7a possa sentir-se majestosa, como tamb\u00e9m\u00a0 \u00e9 primordial, para que este amor n\u00e3o se torne impr\u00f3prio, mort\u00edfero e excludente, que um terceiro termo, aquele que vir\u00e1 exercer a Fun\u00e7\u00e3o Paterna, interdite esta viv\u00eancia de satisfa\u00e7\u00e3o absoluta, procedendo cirurgicamente a uma ferida narc\u00edsica. Ferir este amor para que ele se abra ao outro e fa\u00e7a la\u00e7os sociais. Quando o amor pr\u00f3prio que se forma a partir do narcisismo se desencaminha, pela fal\u00eancia desta Lei Simb\u00f3lica da Cultura, que em psican\u00e1lise se encontra ligada ao conceito de Nome do Pai, a travessia do individualismo \u00e0 individualidade e do\u00a0 ego\u00edsmo ao altruismo, torna-se dif\u00edcil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: .5in;\">O narcisismo mort\u00edfero se alastra do n\u00edvel individual para os processos grupais, atingindo fen\u00f4menos sociais de grande alcance e da maior gravidade para o destino da humanidade. Absolutismo, totalitarismo, intransig\u00eancia, intoler\u00e2ncia, encontram suas ra\u00edzes em caminhos complexos. Por vezes n\u00e3o foi poss\u00edvel ferir este amor absoluto, favorecendo o recrudescimento da tirania, por outras n\u00e3o foi poss\u00edvel tratar a ferida que, permanecendo aberta fomenta a vit\u00f3ria do ressentimento, da inveja e da competi\u00e7\u00e3o desmedida. Numa perspectiva transgeracional de desnutri\u00e7\u00e3o amorosa, a semente deste amor pode n\u00e3o chegar a ser transmitida e, assim, por faltar \u00e0 m\u00e3e, este amor tamb\u00e9m n\u00e3o germinar\u00e1 no filho, dando lugar \u00e0\u00a0 depress\u00e3o e do des\u00e2nimo para o combate requerido pela vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: .5in;\">O desafio seria ent\u00e3o, nesta dial\u00f3gica entre vida e morte, poder transformar o sofrimento deste amor ferido em compaix\u00e3o, em arte compartilhada de conviver com as cicatrizes, vivenciando-as como fruto deste combate entre vida e morte e transform\u00e1-las em resto, \u00e0 partir do qual, toda cria\u00e7\u00e3o humana possa se abrir em favor da vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: .5in;\">\u00c9 necess\u00e1rio ainda dizer que a vida se joga entre a necessidade de\u00a0 movimento e as exig\u00eancias de perman\u00eancia. Do ponto de vista ps\u00edquico, seria imposs\u00edvel o dar-se conta permanente de que vivemos no puro devir. As descobertas mais recentes das ci\u00eancias f\u00edsicas e biol\u00f3gicas, sobre o macro e o micro cosmos, apontam para o fato de que o mundo percebido por nossa retina n\u00e3o se parece em nada com aqueles aos quais podemos ter acesso pelas lentes dos potentes microsc\u00f3pios e telesc\u00f3pios dispon\u00edveis nos laborat\u00f3rios. Estes instrumentos nos revelam um mundo de instabilidade e movimento permanente, realidade insuport\u00e1vel para o ego humano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: .5in;\">O que seria de n\u00f3s, se num cen\u00e1rio de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, nos olh\u00e1ssemos no espelho, com as lentes de um destes instrumentos implantado em nossas retinas? L\u00e1 n\u00e3o encontrar\u00edamos nossa amada e familiar imagem, que a medicina cosm\u00e9tica luta por manter inalterada.L\u00e1 n\u00e3o se justificariam os discursos contempor\u00e2neos que tentam nos vender todas as formas poss\u00edveis de seguros, para que possamos ter a garantia de um m\u00ednimo de mudan\u00e7a em nossas vidas. Ao contr\u00e1rio, ver\u00edamos um turbilh\u00e3o de movimento e transforma\u00e7\u00e3o que nos lan\u00e7aria no estranhamento de n\u00f3s mesmos e nos abismos da psicose.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: .5in;\">Uma das principais fun\u00e7\u00f5es de nosso ego narc\u00edsico \u00e9 nos fornecer uma ilus\u00e3o de perman\u00eancia e continuidade que nos permita tocar a vida no dia a dia do tempo medido por nossos rel\u00f3gios. Assim, quanto mais se agu\u00e7a o sugadouro mort\u00edfero da velocidade devoradora dos acontecimentos de um mundo onde tudo \u00e9 consumido e se torna sup\u00e9rfluo em tempo r\u00e9corde, maior a tend\u00eancia a um enrigecimento deste ego narc\u00edsico que tentar\u00e1 sempre mediar os conflitos entre nossos impulsos mais intensos e as exig\u00eancias da realidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: .5in;\">Dentro desta perspectiva, torna-se fundamental pensar este ego narc\u00edsico, como importante fonte de resist\u00eancia \u00e0s mudan\u00e7as, o que, por um lado, pode desacelerar de algum modo o enlouquecimento dos processos de consumo desenfreado, mas por outro, torna-se tamb\u00e9m um importante obst\u00e1culo \u00e0s mudancas requeridas tanto na esfera individual, quanto no \u00e2mbito do pensamento cient\u00edfico e moral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: .5in;\">O pensar complexo, vem se esfor\u00e7ando e se afirmando como forma poss\u00edvel de abordar a realidade de maneira mais abrangente e menos redutora. Acreditamos que o exerc\u00edcio deste pensamento encontre, nos ideais de perman\u00eancia do ego narc\u00edsico, um importante obst\u00e1culo epistemol\u00f3gico pois, por maior que seja o n\u00edvel de informa\u00e7\u00e3o te\u00f3rica ou erudi\u00e7\u00e3o de um pensador, isto n\u00e3o ser\u00e1 o bastante para que ele possa aceitar a plasticidade inexor\u00e1vel do real e a impossibilidade da totaliza\u00e7\u00e3o do saber.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: .5in;\">Uma opera\u00e7\u00e3o de natureza ps\u00edquica, que podemos formular em termos de um desapego em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s exig\u00eancias eg\u00f3icas de manuten\u00e7\u00e3o de estabilidade e dos ideais de perman\u00eancia, se faz necess\u00e1ria ao\u00a0 favorecimento de uma reforma do pensamento que possa atender \u00e0s necessidades de compreender o mundo como um complexo interligado, onde nada pode ser abordado se retirado do contexto que lhe confere sentido. A humildade diante da complexidade da vida e a consci\u00eancia dos limites do conhecimento n\u00e3o implicam necessariamente um sentimento de impot\u00eancia, mas devem estimular a curiosidade e alegria da busca permanente de respostas que ser\u00e3o sempre incompletas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: .5in;\">Dentro desta perspectiva, vemos como fun\u00e7\u00e3o \u00e9tica da psican\u00e1lise enquanto pr\u00e1tica extensiva \u00e0s quest\u00f5es da cultura e da p\u00f3lis, contribuir para que seja vi\u00e1vel suportar a ang\u00fastia produzida pela incerteza e pelo n\u00e3o saber, mantendo no esp\u00edrito humano, uma abertura poss\u00edvel para o devir e para a cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: .5in;\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: .5in;\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: .5in;\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: .5in;\">\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autora: Tereza Mendon\u00e7a Estarque, Psicanalista, Dra em Ci\u00eancias Sociais, Fundadora e Presidente do Instituto de Estudos da Complexidade. 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